
A pesquisa brasileira voltou a ganhar espaço em um dos principais encontros internacionais dedicados à cirurgia oculoplástica. Um estudo com participação de pesquisadores ligados à Associação Brasileira de Nutrologia — ABRAN e à Universidade Estadual Paulista — UNESP está sendo apresentado no 44º Annual Meeting of the European Society of Ophthalmic Plastic and Reconstructive Surgery — ESOPRS 2026, realizado em Cascais, Portugal.
O trabalho, apresentado pela médica oftalmologista e especialista em plástica ocular Dra. Brenda Resende, investiga uma das áreas de maior expansão na medicina contemporânea: o uso da inteligência artificial para aumentar a precisão do planejamento e otimizar os resultados estéticos da blefaroplastia.
Intitulado “Major clinical approaches to using artificial intelligence for greater precision and optimization of blepharoplasty: a meta-analysis”, o estudo foi aceito oficialmente como apresentação em formato ePoster no congresso europeu. A pesquisa tem Brenda Resende como autora principal e conta ainda com a participação da Dra. Malu Inês Perez Moura Henriques e do Prof. Dr. Idiberto José Zotarelli Filho.
O Prof. Dr. Idiberto José Zotarelli Filho, docente da ABRAN — Associação Brasileira de Nutrologia e da UNESP, em São José do Rio Preto, São Paulo, atua como mentor do estudo de meta-análise, contribuindo para a integração entre Nutrologia, inteligência artificial, medicina baseada em evidências e cirurgia oculoplástica.
O estudo representa uma proposta de referência científica para a otimização da cirurgia de blefaroplastia e dos resultados estéticos por meio da inteligência artificial, incorporando também a análise de preditores nutrológicos capazes de auxiliar na avaliação clínica e na busca por maior eficácia cirúrgica e melhores resultados estéticos.
A proposta reforça uma abordagem multidisciplinar, em que tecnologia, parâmetros clínicos e fatores nutrológicos são analisados de forma integrada para aprimorar o planejamento cirúrgico, reduzir a subjetividade na avaliação dos resultados e contribuir para protocolos cada vez mais objetivos e personalizados em blefaroplastia.
O 44º encontro anual da European Society of Ophthalmic Plastic and Reconstructive Surgery acontece entre 10 e 12 de setembro de 2026, em Cascais, Portugal.
Pela primeira vez, Portugal recebe a reunião anual da ESOPRS. A programação científica reúne especialistas de diferentes países para discutir avanços em cirurgia palpebral, doenças orbitárias e lacrimais, reconstrução facial, trauma e novas tecnologias aplicadas à oculoplástica.
Entre os temas destacados pela própria organização para a edição de 2026 está justamente a inteligência artificial aplicada à oculoplástica, ao lado de abordagens orbitárias avançadas, cirurgia endoscópica e novas interfaces entre função, estética e tecnologia.
Nesse contexto, a apresentação do estudo brasileiro ganha especial relevância por analisar de maneira sistemática como ferramentas de IA podem contribuir para tornar a avaliação dos resultados da blefaroplastia mais objetiva, quantitativa e reproduzível.
A blefaroplastia é uma cirurgia realizada nas pálpebras com objetivos funcionais, estéticos ou ambos. Embora a avaliação clínica continue sendo indispensável, a análise dos resultados pode envolver certo grau de subjetividade, especialmente quando depende apenas da avaliação visual realizada por profissionais ou pacientes.
É justamente nesse ponto que a inteligência artificial começa a ganhar espaço.
Sistemas computacionais podem analisar imagens faciais, identificar padrões anatômicos e realizar medições morfométricas com elevado grau de precisão. Esses recursos podem contribuir para comparar imagens antes e depois da cirurgia e reduzir a variabilidade associada à avaliação humana.
A meta-análise apresentada no ESOPRS 2026 avaliou evidências científicas sobre o uso dessas tecnologias na cirurgia de blefaroplastia.
A revisão seguiu as diretrizes PRISMA e realizou buscas em importantes bases de dados científicas, incluindo PubMed, EMBASE, Scopus, Web of Science e SciELO.
Ao final do processo de seleção, os pesquisadores analisaram 24 estudos clínicos, entre eles cinco ensaios clínicos randomizados, sete estudos prospectivos controlados e 12 estudos observacionais retrospectivos.
No total, as pesquisas incluíram 2.489 participantes e 4.978 olhos.
Os resultados reunidos pela meta-análise demonstraram associação positiva entre o uso da inteligência artificial e a otimização dos resultados estéticos da blefaroplastia.
Segundo os dados apresentados oficialmente pela ESOPRS, a análise estatística mostrou melhora significativa nos resultados estéticos entre os trabalhos que utilizaram inteligência artificial quando comparados aos grupos sem o uso da tecnologia.
A regressão logística binária apontou uma odds ratio de 6,85, indicando uma associação expressiva entre o emprego da IA e melhores resultados estéticos nos estudos analisados.
Os pesquisadores também avaliaram a possibilidade de viés de publicação por meio de Funnel Plot, que apresentou comportamento simétrico.
Os resultados, entretanto, não devem ser interpretados como substituição do cirurgião pela tecnologia. O estudo destaca que ainda existem limitações importantes, principalmente relacionadas à falta de padronização das imagens utilizadas nos diferentes trabalhos científicos.
Uma das principais conclusões da pesquisa está no potencial da análise morfométrica assistida por inteligência artificial.
Essa abordagem permite medir de maneira objetiva diferentes características anatômicas e estéticas relacionadas às pálpebras e à região periocular.
Segundo os autores, a utilização dessas ferramentas pode proporcionar avaliações objetivas, reproduzíveis e quantitativas dos resultados da blefaroplastia.
Isso pode ajudar a minimizar o chamado viés do observador — quando diferentes profissionais podem interpretar um mesmo resultado de maneiras distintas — e contribuir para a criação de parâmetros padronizados que poderão ser utilizados futuramente em auditorias e pesquisas cirúrgicas.
O trabalho também aponta para a necessidade de novos estudos utilizando algoritmos de redes neurais convolucionais, conhecidas como CNNs, para avaliar de maneira quantitativa como a cirurgia influencia a percepção de idade dos pacientes.
A apresentação do estudo em Portugal está sendo conduzida pela Dra. Brenda Resende, médica oftalmologista e especialista em Plástica Ocular, de Ribeirão Preto, São Paulo.
Diretamente do congresso, a pesquisadora destacou a importância da participação brasileira no evento e o caráter inovador do trabalho.
Segundo Brenda, a meta-análise busca funcionar como uma referência para a otimização dos resultados da blefaroplastia por meio da inteligência artificial.
A pesquisadora também chamou atenção para a integração entre diferentes áreas do conhecimento, incluindo parâmetros clínicos e nutrológicos que podem contribuir para a avaliação e otimização dos resultados cirúrgicos.
Sua participação no ESOPRS reforça a inserção de pesquisadores brasileiros em discussões internacionais sobre novas tecnologias aplicadas à cirurgia oculoplástica.
O estudo conta também com a participação do Prof. Dr. Idiberto José Zotarelli Filho, pesquisador vinculado à UNESP e à Associação Brasileira de Nutrologia — ABRAN.
Sua presença entre os autores reforça uma linha de pesquisa cada vez mais multidisciplinar, na qual Nutrologia, cirurgia, inteligência artificial e medicina baseada em evidências se encontram.
O próprio cadastro oficial do trabalho na ESOPRS identifica Zotarelli Filho com vínculo à UNESP, em São José do Rio Preto, e à ABRAN, em Catanduva.
Essa integração demonstra como a Nutrologia pode contribuir para diferentes especialidades médicas, especialmente quando fatores nutricionais, metabólicos e inflamatórios interferem na recuperação, regeneração tecidual e resultados clínicos.
A médica Dra. Malu Inês Perez Moura Henriques, especialista na área de oftalmologia e plástica ocular, também participa do estudo.
Sua atuação em pesquisas relacionadas à estética e à cirurgia ocular já aparece em edições anteriores da própria ESOPRS. Em 2024, por exemplo, Malu Inês apresentou trabalho sobre otimização do uso de laser de CO2 fracionado associado a exossomos, células-tronco derivadas do tecido adiposo, PRP e resveratrol, também com participação do Prof. Dr. Idiberto José Zotarelli Filho.
A continuidade dessa presença internacional demonstra a consolidação de uma linha brasileira de investigação voltada à integração entre cirurgia oculoplástica, regeneração tecidual, medicina estética e novas tecnologias.
A edição de 2026 da ESOPRS ocorre no Centro de Congressos do Estoril e reúne delegações de diferentes partes do mundo.
A organização destaca que a programação foi desenhada para unir temas clássicos da especialidade a novas áreas de investigação.
A inteligência artificial aparece entre os assuntos centrais do congresso justamente porque a medicina vem incorporando ferramentas capazes de processar grandes volumes de dados, analisar imagens e identificar padrões difíceis de perceber pela avaliação tradicional.
Na oculoplástica, essas tecnologias podem contribuir para planejamento cirúrgico, avaliação de simetria, análise pós-operatória e padronização de resultados.
O desafio científico, entretanto, continua sendo validar essas ferramentas em populações maiores, padronizar protocolos de imagem e garantir que a tecnologia seja utilizada como apoio à decisão médica, e não como substituta da avaliação clínica.
A participação no ESOPRS 2026 representa também mais uma demonstração da presença internacional da ABRAN em pesquisas que atravessam diferentes especialidades médicas.
Nos últimos anos, trabalhos envolvendo pesquisadores vinculados à entidade têm sido apresentados em congressos internacionais de obesidade, metabolismo, neurociência e agora também oculoplástica.
Essa diversidade reforça uma característica importante da Nutrologia contemporânea: sua capacidade de dialogar com diferentes áreas da medicina sempre que nutrição, metabolismo, inflamação e regeneração tecidual interferem no processo de saúde e doença.
Em Portugal, essa integração aparece de maneira especialmente clara.
Um estudo liderado por uma oftalmologista especialista em plástica ocular, acompanhado por pesquisadores com experiência em oftalmologia, Nutrologia e metodologia científica, utiliza ferramentas de inteligência artificial para tentar tornar uma cirurgia estética e funcional mais precisa e mensurável.
É exatamente esse tipo de colaboração multidisciplinar que vem definindo a medicina contemporânea.
A apresentação no 44º ESOPRS Annual Meeting coloca mais uma vez pesquisadores brasileiros diante da comunidade científica internacional e mostra que a inovação em saúde depende cada vez mais da convergência entre especialidades, dados, tecnologia e evidências científicas.
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